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A Parceria de Josildo Sá e Paulo Moura


  Paulo Moura começou, pré-adolescente, tocando música de gafieira, em São José do Rio Preto (SP). Quis o destino que ele terminasse a carreira tocando samba de latada, a gafieira com sotaque nordestino com Josildo Sá. Quis igualmente o destino que Paulo Moura (falecido em 2010) não vivesse o suficiente para ver a parceria chegar ao DVD, Samba de lata ao vivo, gravado no Teatro de Santa Isabel, em 2008.

  Um dos maiores nomes da história da música brasileira, com trânsito livre entre o popular e o erudito, Paulo Moura (nascido em julho de 1932), conheceu, por acaso, Josildo Sá, em 2004: Fomos apresentados por um amigo publicitário, Jorge Hopper. Depois, ele veio tocar aqui no Recife e Jorge me perguntou se eu podia ser cicerone de Paulo Moura e de sua mulher. Foi aí que estreitamos amizade. Numa dessas saídas nossas, eu coloquei meu primeiro disco, Virado num paletó veio no toca-CD do carro e ele disse ter gostado muito. Coloquei Coreto, meu segundo disco, ele fez algumas observações, comentou sobre faixas que poderiam ser melhoradas. E me disse que quando fosse gravar novamente eu poderia contar com ele.



  Dois anos mais tarde, Josildo Sá preparou um show de Carnaval com Arlindo dos Oito Baixos, do qual surgiu a ideia do projeto Samba de latada: Achei que era hora e liguei para Paulo Moura. Queria reunir os dois mestres, Arlindo e ele. Cantei no telefone Nega buliçosa, de Tiago Duarte, e ele me disse que estava dentro para fazer o projeto. Combinamos de eu ir para o Rio de Janeiro. Preparei um repertório com músicas de Jackson do Pandeiro, João Silva, sambas feito Para não morrer de tristeza. Fizemos um show no Carnaval de 2006, ele adorou e aproveitei para convidar Paulo para tocar no disco que eu iria gravar. Ele disse que não queria só participar não. Queria ser meu parceiro no projeto, conta o forrozeiro.



  Até então Josildo havia gravado dois discos, os citados Virado Num Paletó Véio e Coreto. A parceria com Moura firmou seu nome definitivamente no cenário da música do Nordeste. Nascido no Sertão do Pajeú, ele sofreu influência forte do pai, o sanfoneiro Agostinho, de Tacaratu, cidade onde cresceu. Mas, a obrigação veio antes de colocar a vocação em prática. Trabalhei muito tempo com comércio, fiz um monte de coisa, vendi redes, artesanato, bebidas, fui frentista, mas sempre fazendo alguma coisa ligada à música. Na escola, em toda festa era convidado para cantar. Nasci no Pajeú uma região muito musical. Pai sanfoneiro, não tinha como não ter jeito para música, ressalta Josildo.

  Paulo Moura tinha um pouco dessa personalidade interiorana, bem presente em seu disco mais conhecido, Confusão urbana, suburbana e rural (1976), que compartilha afinidades com o Samba de latada, música popular para dançar: O derradeiro trabalho dele foi este DVD. Paulo ainda conseguiu melhorar algumas coisas, ele me disse que o melhor ritmo para ele eram os cubanos e o samba de latada, que achava parecidos. E música cubana era o que tocava muito nos bailes com o pai dele.

  O Samba de latada, creditado aos dois, saído inicialmente independente, em 2006, e depois pela Rob Digital, levou a dupla a uma turnê que passou por alguns dos principais palcos do País, como o do TIM Festival e o do Sesc Pompeia, entre outros, com unânimes críticas favoráveis.

Texto de José Teles – Jornalista do Jornal do Commércio Recife – PE, escritor, pesquisador e crítico musical - Fonte: Musicariabrasil


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